Monthly Thought

"Quando me vires no alto, no lugar mais alto que se pode chegar, vou-te dizer a ti que não acreditaste em mim "Eu disse-te..." Desejei-o, não me rendi e consegui..."

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Dá para acreditar?

“É possível vencer uma medalha olímpica sem tomar doping? Sim, eu sou prova disso…”

À medida que vou lendo biografias e entrevistas de grandes lendas do atletismo, esta é uma ideia bastante comum. Nunca ninguém tomou algo ilegal e nem mesmo sequer considerou tomar algo para melhorar a performance física. Dá para acreditar?

Com uma época de 2013 em que foram descobertos inúmeros casos de doping, incluindo grandes figuras da velocidade mundial - Asafa Powel, Tyson Gay e Sherone Simpson, Veronica Campbell-Brown – e 31 casos de um país apenas (Turquia) torna-se incrivelmente estranho acreditar num Desporto puro. Agora quando ouço, por exemplo, o Usain Bolt a declarar-se 100% natural e que nem sequer toma suplementação ou vitaminas, eu já só ouço “blá blá”. É mais do mesmo. Dá para acreditar?
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O Doping ou o uso de substâncias que melhoram o rendimento físico não é nada de novo. Há aquela noção (utópica da pureza) dos Jogos Olímpicos mas na Grécia Antiga, já se tomavam bebidas especiais e poções “mágicas” de forma a obter uma vantagem competitiva!
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Para ser honesto, acho que todos estes avanços de louvar na luta anti-doping podem criar um sério problema. Será que vai diminuir o “prazo de validade” das estrelas? Será que vamos passar a ter cada vez mais atletas a quererem aqueles 15 minutos de fama de que falava o excêntrico Andy Warhol? Será que atletas como Haile Gebrselassie e Marlene Ottey, cuja longevidade das carreiras ao alto nível impressionam e inspiram qualquer pessoa, vão deixar de existir?

Leia o artigo integral em: Atleta-digital.com: Reflexões de Rafael Lopes

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Focus


"When you are in the room, be in the room" - Nigel Risner

Dá 100% da tua atenção ao "aqui" e "agora"! A vida pode oferecer-te muito mais se estiveres totalmente presente e focado.

Edgar Barreira, obrigado pela foto!

Imprensa do Atletismo


Tenho de dar os parabéns a este trabalho.

Visitem-no em Imprensa do Atletismo - Edgar Barreira

quarta-feira, 13 de março de 2013

Comeback of the Year - Félix Sánchez

Félix Sánchez won with all credits the Laureus award for the "Comeback of the Year". It's an emotional tribute to someone who life and sports career should be an example for generations and generations...


segunda-feira, 11 de março de 2013

Felix Sanchez Orgullo De La Patria



Amazing...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A ilusão do sucesso


“O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os seus lábios destrói-se” (Provérbios 13:3). Tenho este provérbio bíblico sempre em mente quando escrevo os meus artigos mas desta vez penso que terei de me abrir um pouco mais do que o habitual. As circunstâncias assim o exigem, acontecem episódios no nosso Atletismo que não deviam e a minha fé nas pessoas é abalada. Estamos a ficar cada vez piores e entristece-me a forma como agimos.

Fama a qualquer custo? Vender a alma por um pouco de fama e algum dinheiro de curto-prazo? Passar por cima de tudo e todos? Ser “grande” só porque se venceu uma prova? Ser egocêntrico? Pensar que tudo gira à nossa volta? Pensar que todos nos invejam? Tirar os pés do chão porque representou Portugal? Agir em superioridade sobre os outros porque se atinge bons resultados desportivos? Desprezar o resto da população, os “comuns mortais”?

Tantas e tantas perguntas que poderia fazer baseando-me em vários casos que vejo pelo nosso atletismo. Casos que me preocupam e cujo estudo das razões comportamentais exigiria certamente um trabalho de psicólogos.
Já que não sou um especialista dessa área, resta-me manifestar a minha enorme preocupação em deparar-me com o facto de, sempre que vejo alguém a fazer um comentário credível contra certas acções e atitudes de atletas de “alta competição”, esse alguém é logo catalogado como um “invejoso”, um “desiludido”, etc…

Quando há pouco menos de um ano, a FPA organizou uma Conferência de Imprensa para elucidar a opinião pública sobre um caso de Doping, eu (que já dediquei alguns artigos ao tema) emiti publicamente a minha opinião sobre o assunto. Podia ter fingido que era um “tótózinho” disponível para ser enganado mas não. Escrevi sobre o assunto titulando-o como “A Conferência de Imprensa que nunca devia ter acontecido”, no qual critiquei o Presidente da FPA e todos os panos quentes que havia naquele caso em comparação com outros que nem eram tornados públicos. Não é que umas horas mais tarde, recebo mensagens a perguntar se eu era um daqueles a quem o sucesso dos outros tanto incomodava...

Claro que nunca respondi…

Primeiro, porque não havia qualquer ligação entre a minha opinião (“Não devia ter havido qualquer Conferência de Imprensa!" e "O suplemento não estava contaminado, já que a substância proibida estava indicada no rótulo com o seu nome mais conhecido”) e o sucesso de quem quer que fosse! Realmente, dizem que a mania da perseguição faz com que vejamos associações mirabolantes em tudo.

Segundo, porque dá-me imensa piada a noção que certos desportistas têm de que só existe “sucesso” no Desporto, desvalorizando os outros seres humanos, os “seres comuns”, e todas as outras vertentes da vida. Será que ser finalista numa competição internacional significa ter mais sucesso do que ser, por exemplo, ser o melhor aluno do ano no seu curso? Será que dominar 5 línguas e ser compreendido na língua local em mais de 20 países do Mundo não é um sucesso?* Lá porque alguns só “sabem” correr não quer dizer que o mundo seja só a corrida! De facto pode ter-se sucesso em qualquer dimensão da realidade e isso devia ser ensinado em todas as escolas, especialmente pelos professores de Educação Física e treinadores. Ainda há uns anos vi um vídeo do treinador de Richard Kiplagat a discursar para uma centena de alunos quenianos onde dizia que o mundo está cheio de oportunidades além da corrida, e que uns podem ser os melhores corredores e outros melhores maridos… Aí está, quem é que tem mais sucesso? O melhor corredor ou o melhor marido? Para quem pensa que o melhor corredor tem mais sucesso, que não se esqueça que é um sucesso mais fugaz e facilmente falseado por drogas.
Olhem para o caso Lance Armstrong! De Maior Ciclista de todos os tempos (e para sempre) a Maior Batoteiro de todos os tempos? O vencedor do Tour de France deste ano, Bradley Wiggins, compará-lo ao “Pai Natal” porque à medida que se envelhece descobre-se que ele não existe? Chego a ter pena do que estão a fazer ao Armstrong! Que mundo de hipocrisia… Como se hoje em dia já tivesse tudo limpo e fosse possível vencer uma grande competição como o Tour de France sem “bife do lombo”!
Algo que garanto é que não dá para projectar melhor a construção de uma grande obra só porque se bebe mais “Red Bull”… Não dá para resolver melhor conflitos organizacionais numa empresa só porque se injectam “Vitaminas”… Não dá para prestar um serviço 5 estrelas a um cliente graças a “Centrum”…

Sendo assim, porque é honramos mais potenciais “criminosos” do que pais, professores, médicos ou até voluntários em países subdesenvolvidos? Que mensagem é que estamos a passar ao Mundo? Que somos mesmo estúpidos?! Isto é reflexo daquilo que se assiste desde os primeiros anos na Escola. O “Maior” é sempre aquele que tem imensas “negas”, o que diz “piadolas” durante as aulas, o que leva suspensões. O “Maior” chega mesmo a ser invejado por todos aqueles que queriam também ser o “centro das atenções”. Daí é um pequeno passo para termos jovens a identificarem-se com exemplos de desportistas que utilizam constantemente as redes sociais para passarem a mensagem de que “Sou o maior. Todos falam mal de mim nas minhas costas. É só inveja”.
Felizmente há quem nunca tenha sentido inveja do “Maior” da Escola. Felizmente há quem queira ser o melhor nas coisas que faz sem dar nas vistas e tenho a certeza que esses não se identificam com heróis egocêntricos com a mania da perseguição. Esses heróis dificilmente são felizes porque fazem filmes na cabeça de que o seu sucesso é tão maior do que realmente é, que acabam desiludidos. Já diz o nosso recordista nacional de 110m barreiras: “Só se desilude quem se ilude”.

 








Será tão díficil ser um campeão discreto como o Rui Silva?


*Atenção! Não fui o melhor aluno do curso no meu ano nem domino 5 línguas. Aliás, eu não tenho de provar onde e quando sou bem sucedido, assim como a minha felicidade também exista sem TV’s e sem pessoas a relembrarem-me constantemente de que sou “Grande”. 
Mas claro, nas palavras de um grande atleta que é intelectualmente evoluído, a mensagem deste texto "dificilmente chega a quem deveria realmente chegar, esses interpretam mal e olham para isto apenas como um texto de alguém revoltado e invejoso. Infelizmente é assim..."

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O dia em que o Super-Homem chorou

Dia 10 de Junho de 2009, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e eu estava em Poznan, na Polónia, a trabalhar na Sport & Business Foundation. E lá, não era feriado. Por isso pedi encarecidamente para me “libertarem” naquele dia porque não queria mesmo perder uma oportunidade única. Ver o meu ídolo das pistas correr ao vivo – Félix Sanchéz.

Reparem que só três dias antes é que tinha ficado a saber que ele ia ao Meeting Enea Cup, em Bydgoszcz (uma cidade a cerca de 3 horas de Poznan) depois de ele ter comunicado na sua página do Facebook que tinha aterrado na Polónia. O meu comentário foi logo “Eu estou na Polónia e vou a Bydgoszcz ver-te correr barreiras como ninguém o faz”, recebi um “Cool!”. Ele tornou-se a minha maior referência no atletismo desde 2003, num ano em que era iniciado e em que comecei a ter resultados interessantes em provas com barreiras. Desde então, é o meu “Super-Herói” favorito.
(...)

Em 2009, Super Sanchéz estava a recuperar de uma época de 2008 em que só competiu numa prova fruto de várias lesões. E essa competição foi a primeira eliminatória dos Jogos Olímpicos de Pequim… Nesse dia, os meios de comunicação desportivos mundiais deram conta da “morte” do Super-Homem. Félix Sanchéz esteve irreconhecível, tendo sido 5º na sua eliminatória com uma marca que já não fazia desde os 20 anos: 51,10s… Poucos se interessaram pelos motivos e muito menos os souberam…

Voltando 35 anos atrás… Nascendo em Nova Iorque, filho de pais dominicanos, Félix Sánchez soube desde cedo que queria deixar uma marca na história do Desporto. Aos 10 anos, os seus pais divorciaram-se e foi com a mãe para a Califórnia. No entanto, como a mãe trabalhava muitas horas, o pequeno Félix passava muito tempo com a sua avó e foi esta, Lilian Peña, que teve extrema importância na formação da personalidade daquele que, anos mais tarde, ganharia a alcunha de Super-Homem. Ensinou-lhe que a vida era dura e obrigou-o a sentir as dificuldades da mesma porque quis que ele começasse a ser forte desde criança e a lutar pelo que queria.

(...)

Quando os medalhados estavam atrás do pódio, começou a chover e cada pinga da chuva foi entendida por Sánchez como lágrimas de felicidade da sua avó a cair do céu… Não se conseguiu conter e as lágrimas começaram a cair descontroladamente dos olhos do dominicano. O Estádio Olímpico não ficou indiferente e 70 mil pessoas aplaudiram-no de pé e pelo Mundo, muitos milhões emocionaram-se com a sua história. As lágrimas também me vieram aos olhos. Foi o momento Olímpico mais marcante que assisti…

Foi a noite em que o Super-Homem chorou…


Veja este artigo completo em: Reflexões de Rafael Lopes - O dia em que o Super-Homem chorou
A minha homenagem ao meu ídolo das pistas passado um mês da sua vitória Olímpica em Londres

terça-feira, 19 de junho de 2012

A lição de Félix Sánchez



Félix Super Sánchez estava a aproximar-se claramente da frente quando teve uma caimbra no gémeo... e caiu desamparadamente. Mas estará em Londres para ganhar o seu segundo ouro olímpico e as suas pretensões não são descabidas. Está muito bem fisicamente e é um lutador!

"Se me caigo 100 veces, me levanto 101" - Félix Sanchez

My best start of the season ever...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ensinamentos de Leste com Petrov - Parte II

Que diferenças culturais… que diferença de mentalidades…
Depois de no primeiro artigo de opinião me ter debruçado sobre alguns aspetos históricos que modelaram a cultura soviética e que, consequentemente, influenciaram (e ainda influenciam) o método de treino do leste europeu, nomeadamente com a procura da perfeição técnica, nesta segunda parte vou apresentar algumas diferenças entre o que Vitaly Petrov “ensinou” e o que é feito no nosso país.  

Especialização precoce, roubos, etc. – Serguey Bubka, nascido e criado num quartel militar, teve uma infância repleta de actividades físicas e desportivas. Experimentou vários desportos colectivos (o futebol e hóquei no gelo eram os seus favoritos) e era um “ás” na ginástica, chegando mesmo a ser selecionado para um grupo de treino especializado… Mas aos 10 anos, o destino alterou-se (ou se calhar esse era mesmo o destino, se é que existe destino) quando um amigo de Bubka o convidou para experimentar salto com vara. Bubka aceitou e foi então que Vitaly Petrov o conheceu. Como o treino dos jovens deve ser bastante completo (e porque o de salto com vara também o deve ser), Petrov colocou Bubka a fazer um pouco de tudo, privilegiando (para além do salto com vara) o salto em altura e o salto em comprimento uma vez que considera que a chamada para o salto com vara está “no meio” do salto em altura e do salto em comprimento.

Não é que Bubka começou a ter resultados invulgares no salto em comprimento para a sua idade? Só para se ter uma ideia, aos 13 anos aproximou-se dos 6.50 metros… Com estes resultados fantásticos, o que é que Petrov fez? Protegeu Bubka, não o deixou mais fazer provas de salto em comprimento porque já estavam a tentar “roubar” Bubka de Petrov e a querer desviá-lo do objectivo principal que era tornar-se um grande saltador com vara.

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Realmente é irónico… Uma coisa é certa, o treinador é que sabe o que está a fazer com os seus atletas. Aquele que é acusado de estar a especializar precocemente o seu atleta pode ser aquele que está a fazer o trabalho correcto e a usar as outras disciplinas em treino, para melhorar na disciplina em que querem apostar. E se isso assim é, que se lixe o que os outros pensam. Olhando para a carreira perfeita de Bubka, só posso estar satisfeito com a protecção que Petrov fez naquela altura.

Bubka não podia ter sido um campeão maior do que foi enquanto saltador com vara!

Em Portugal, no salto com vara, antes do grande Edi Maia, podia ter havido um grande campeão (e atualmente podia dar luta ao Edi). (...)

Leia o artigo completo em Atleta-digital - Reflexões de Rafael Lopes
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